Recostada num banco no meio de tudo
Mergulhei no fundo do meu nada
Revivi momentos passados
Eternas lembranças novamente reproduzidas
Dando vida, uma vez mais,
A tudo que o tempo cobrou seu preço
Guardando na história,
Restando apenas as cicatrizes.

 

Recostada neste mesmo banco
Admirei o presente que, naquele instante
Fez-se presente.
Observei a primavera florescendo
Trazendo nova vida
No lugar das vidas colhidas pelo inverno
Enchendo de música
Onde o silêncio, por tanto tempo, dominara.

 

Ainda sentada neste banco
Permiti-me uma aventura pelo futuro
Indaguei-me sobre os novos rumos a tomar
Senti-me cheia de vida
Ao mesmo tempo em que senti
O tempo esvaindo a vida de dentro de mim
Dei-me conta de que, nesta jornada,
Não há pressa, mas também não sobra tempo.

 

Despedi-me do banco
Encarei a incógnita a respeito do que virá
Abraçando a frágil incerteza que me envolve
Correndo o risco de que esse viesse a se tornar
Meu último risco.

 

Michelly Pellá


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